
CÉLIA E BEATRIZ
Foi uma tentativa frustrada de escrever uma carta “legal” para a minha querida sobrinha. Não ficou boa. Talvez tivesse que maquia-la mais um pouco. Um blush rosa romântico para as entrelinhas e uma sombra prateada, da cor de um “naipe de metais” afinado. Ia mandar via correio e se fosse, demoraria um tanto para chegar, mas seria bem mais a cara dela. Talvez então fosse melhor falar um pouco sobre as minhas impressões e emoções de um certo período em que me vi, forçadamente, morando na “cidade maravilhosa”.
O apartamento era suficiente para três, na tentativa de ser barato e não afetar nossas finanças. Éramos três desconhecidas até então, e fizemos grandes esforços para tornar aquele pequeno espaço habitável por cerca de um mês. Uma cozinha minúscula, que também servia de área de serviço, e as nossas calcinhas penduradas, quase em cima da geladeira, tudo muito espremido, foi tudo o que nos permitiu fazer algumas deliciosas gororobas.
Havia um aparato antigo de fazer com que a água do chuveiro esquentasse movido a gás, por cima do tanque, que também mal cabia naquele espetáculo arquitetônico de economia de espaço, chamado cozinha, ou mini-cozinha, sei lá. Fazia um barulho imenso quando era acionado. Todos os vizinhos já sabiam: ei pessoal, as meninas vão tomar banho. Só que aquele lugar era perfeito pra nós: tudo por perto, de padaria a estação do metrô, e sem falar na paisagem do Aterro do Flamengo, que ficava bem na nossa cara, ou quase. A praia era imprópria para banho, mas o visual não pedia nenhum complemento, bastava olhar e contemplar, era pura e simplesmente desestressante.
Acontece que o tempo era longo, e as apostilas não paravam de chegar em nossas mãos, porque tínhamos que aprender tudo sobre o assunto do curso que estávamos fazendo. Tínhamos que acordar cedo e ficávamos o dia inteiro fora. O cansaço e a saudade de casa começaram a dar sinais e nosso sonho de consumo, no fim de três semanas, passou a ser o desembarque no saguão do aeroporto das nossas cidades-lares.
Não passamos muitos apertos porque uma de nós era prevenida. Nossa amiga Célia de São Paulo, lembrou-se de tudo ao fazer as malas, então tínhamos secador de cabelos, rádio-relógio e guarda-chuvas... e choveu um bocado. Beatriz também era previdente, pois ligava para a mãe todas as noites. Depois de tudo ainda sobrava tempo para as fofocas, além de expormos um pouquinho de nossas vidas todas as noites, umas para as outras, e principalmente sentirmos saudades.
E agora podemos falar sobre isso, como uma grande aventura, e um período construtivo, pelo menos no quesito “pequenos espaços para grandes pessoas”, ou diferentes pessoas. Com certeza, aprendemos a valorizar um tantão a mais, nossas pequenas e singelas preferências. Por enquanto, sinto muitas saudades da Célia, e queria dizer isso a ela de uma forma diferente. Valeu!
Foi uma tentativa frustrada de escrever uma carta “legal” para a minha querida sobrinha. Não ficou boa. Talvez tivesse que maquia-la mais um pouco. Um blush rosa romântico para as entrelinhas e uma sombra prateada, da cor de um “naipe de metais” afinado. Ia mandar via correio e se fosse, demoraria um tanto para chegar, mas seria bem mais a cara dela. Talvez então fosse melhor falar um pouco sobre as minhas impressões e emoções de um certo período em que me vi, forçadamente, morando na “cidade maravilhosa”.
O apartamento era suficiente para três, na tentativa de ser barato e não afetar nossas finanças. Éramos três desconhecidas até então, e fizemos grandes esforços para tornar aquele pequeno espaço habitável por cerca de um mês. Uma cozinha minúscula, que também servia de área de serviço, e as nossas calcinhas penduradas, quase em cima da geladeira, tudo muito espremido, foi tudo o que nos permitiu fazer algumas deliciosas gororobas.
Havia um aparato antigo de fazer com que a água do chuveiro esquentasse movido a gás, por cima do tanque, que também mal cabia naquele espetáculo arquitetônico de economia de espaço, chamado cozinha, ou mini-cozinha, sei lá. Fazia um barulho imenso quando era acionado. Todos os vizinhos já sabiam: ei pessoal, as meninas vão tomar banho. Só que aquele lugar era perfeito pra nós: tudo por perto, de padaria a estação do metrô, e sem falar na paisagem do Aterro do Flamengo, que ficava bem na nossa cara, ou quase. A praia era imprópria para banho, mas o visual não pedia nenhum complemento, bastava olhar e contemplar, era pura e simplesmente desestressante.
Acontece que o tempo era longo, e as apostilas não paravam de chegar em nossas mãos, porque tínhamos que aprender tudo sobre o assunto do curso que estávamos fazendo. Tínhamos que acordar cedo e ficávamos o dia inteiro fora. O cansaço e a saudade de casa começaram a dar sinais e nosso sonho de consumo, no fim de três semanas, passou a ser o desembarque no saguão do aeroporto das nossas cidades-lares.
Não passamos muitos apertos porque uma de nós era prevenida. Nossa amiga Célia de São Paulo, lembrou-se de tudo ao fazer as malas, então tínhamos secador de cabelos, rádio-relógio e guarda-chuvas... e choveu um bocado. Beatriz também era previdente, pois ligava para a mãe todas as noites. Depois de tudo ainda sobrava tempo para as fofocas, além de expormos um pouquinho de nossas vidas todas as noites, umas para as outras, e principalmente sentirmos saudades.
E agora podemos falar sobre isso, como uma grande aventura, e um período construtivo, pelo menos no quesito “pequenos espaços para grandes pessoas”, ou diferentes pessoas. Com certeza, aprendemos a valorizar um tantão a mais, nossas pequenas e singelas preferências. Por enquanto, sinto muitas saudades da Célia, e queria dizer isso a ela de uma forma diferente. Valeu!
1 comment:
aaaaddooooooorei!
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