Friday, June 26, 2009

sobre Michael Jackson...

Em mil novecentos e oitenta e poucos eu já sabia que amava todo tipo de manifestação artística ligada à dança... no interior de Minas Gerais , numa cidade que tinha péssima transmissão de tudo por problemas com as antenas de rádio e TV, não se cogitava aprender a dançar em escola ou academia. Mas nós aprendemos a dançar mesmo assim.....
Então ontem eu chorei um bocado, porque meu professor de dança morreu... sim, a minha sensação é essa, e não tô a fim de explicar mais que isso também não. Dane-se quem só conhece o Michael Jackson depois da fase das mazelas, complicações psicológicas e doenças, incluindo o maldito câncer. Ele já não produzia mais nada, mas pelo menos estava lá, estranho não? já não havia mais glamour nenhum, mas ele estava lá. Não é nada bom perder pessoas que foram seus ídolos aos doze, treze anos. Saudosismo, tristeza, sensação de que morrer é desnecessário para este tipo de pessoa, uma vez que ele já não era o mesmo daqueles tempos...
Este é o meu sentimento... chore você comigo, se tiver sido capaz algum dia de dançar uma coreografia ao som de "Rock Whit You"... com o ritmo, leveza e a doçura que essa música tem, misturando pretenciosos passos de ballet clássico com sensualíssimos movimentos de jazz...
... ai...
vou ali no banheiro chorar de novo!

Tuesday, June 16, 2009

caso sério...

O homenageado deste ano é Manuel Bandeira...
E eu não vou (de novo) na FLIP.



VERSOS ESCRITOS NÁGUA
Manuel Bandeira

"Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo do teu sonho
Imaginar como serão.
Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...
Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou."


Ouvindo hoje de manhã no carro...

"... eu
fico pensando em nós dois,
cada um na sua...
perdidos na cidade nua...
...você e eu somos um caso sério..."
com Pedro Mariano e um pianinho lindo (que deve ser o pai dele tocando).
ah, que coisa mais linda!

Sunday, June 07, 2009

Mil tons...

Pensem num teatro lotado de fãns saudosos do Clube da Esquina. No palco, primeiro Lô Borges, depois Flavio Venturini e ai Milton Nascimento.
Ganhei de presente da minha irmã um ingresso Vip (esse mesmo, que vc fica tão perto que enxerga até a cor da palheta do músico, hehe), para ver Milton e seus amigos. E como não se emocionar com "Nascente", gente! o Flavio Venturini todo grisalho cantando e tocando aquilo... uns acordes mais lindos do mundo, a mineirada chorou... buá.....
Ai lá pelas tantas, entra Milton, e o povo já delirando com tanta delicadeza de Lô e Flavio, imaginem a loucura... Então ele abriu a boca, e aquela voz que vem de outro mundo e que até hoje ninguém consegue entender tamanha perfeição, encheu o lugar e aí já viu né? pra quem chora até com espetáculos de dança, não teve outro jeito. Eu acho que não sou normal não.....buáaaaaa. Que coisa mais linda, não posso explicar! e povo num delirio, que se levantava ao final das músicas pra aplaudir parecia que não cabia na poltrona, tinha que levantar, era um impulso... e quando ele cantou "o rouxinol" e no final assobiou aquilo??? foi uma gritaria, um desvario, uma catarse louca coletiva, frenesi... nunca vi igual, tanta gente se emocionando daquele jeito, ao mesmo tempo! O cara é um Monstro Sagrado das Montanhas mesmo, fala sério, diga aí...
E no final das musicas, ele, percebendo toda a idolatria dos fãs, dizia " obrigado, muito obrigado"...
como assim? meu filho??? obrigada você, por cantar desse jeito, Ave Maria!!!!!!!!!!!

Certas Canções
Milton Nascimento

"Certas canções que ouço
Cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece
Como não fui eu que fiz?
Certa emoção me alcança
Corta-me a alma sem dor
Certas canções me chegam
Como se fosse o amor
Contos da água e do fogo
Cacos de vidas no chão
Cartas do sonho do povo
E o coração pro cantor
Vida e mais vida ou ferida
Chuva, outono, ou mar
Carvão e giz, abrigo
Gesto molhado no olhar
Calor que invade, arde, queima, encoraja
Amor
que invade, arde, carece de cantar"