Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo!!!
Cora Coralina 
Friday, August 27, 2010
Capítulo DEZESSEIS...
Sim, ela era ao mesmo tempo uma romântica incorrigível e uma passional sem-noção. O filme "As Pontes de Madison" era o seu referencial máximo de permissão para sentir emoções ultra-secretas e amar sem culpa. Tinha sonhos estranhíssimos, inventava situações só para seu consumo e por isso mentia. Lia Florbela Espanca e Carlos Drommond de Andrade a qualquer hora do dia, caía no chôro com seu sobrinho Caetano quando iam aos espetáculos do Grupo Corpo, arrepiava-se quando ouvia um solo de trompete, derretia-se quando alguém tocava um instrumento musical e gostava da ciência astrológica para fins supersticiosos e futurísticos mais que duvidosos. Acostumou-se rápido à nova rotina, mas não se acostumava nem com o ritmo da cidade nem com o das pessoas. Tinha reencontrado pouquíssimas amigas, da infância e adolescência e cada uma vivia um momento diferente, já com filhos à tira-colo. Alan preenchia seus espaços com o trabalho e a faculdade e ela com as viagens quase que semanais à trabalho. Eles não tinham muito tempo para balanços do relacionamento ou coisa parecida, e não havia nada de especial ou promessa de novidade naquele horizonte curto . Ela carregava o nome de sua mãe no seu, só que o seu era composto: Clara Maria. Quando Cristiana, filha de Carolina tinha uns dois anos e falava tudo enroladinho, ela inventou o seu apelido: CORA. Como não conseguia falar tia Clara, ela falava tia Cora, sem saber que sua tia diabética colecionava, de propósito, poemas da poetisa-doceira goiana mais fofinha de todo o universo:
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