À primeira vista, nada lhe chamou a atenção no moço de óculos e pouquíssima bagagem que acabara de chegar. Ela se distraiu com a outra amiga da irmã que chegara no mesmo vôo para passar o fim de semana. Era uma quinta-feira. No jantar, trocaram impressões sobre várias coisas, descobriram afinidades, seus gostos musicais eram meio divergentes, mas ele se mostrou curioso quanto à vida dela na nova cidade. Ela o achou simpático. No dia seguinte, dia internacional de todas as pessoas que trabalham esticarem suas conversas nas mesas dos bares e congêneres, lá foram eles e mais um monte de gente, para um lugar agradabilíssimo, onde riram um bocado, e sob a brisa do mar brindaram, os dois, com suco de laranja. Ela o achou interessante. O sábado veio com sol, e ao invés de voltar para casa como ele tinha se programado, ligou para a mãe, e avisou que ficaria, porque a praia o havia hipnotizado. Ela o achou inteligente. Á noite, eles já super à vontade, combinaram conhecer o lugar badalado que constava no Guia Quatro Rodas, e ela pôs um vestidinho vermelho com sandália bem alta. Ele a olhou um pouco mais demoradamente e fez um elogio rasgado, nada contido, mas muito bacana. Ela brincou com ele que ele tinha esquecido seus óculos, e ele jurou que os óculos eram só um disfarce, e que eles serviam mesmo só para enxergar bem longe o que não tivesse nenhuma beleza. E dessa vez ela o achou incrível. Na pista de dança, ela não tinha preocupação alguma, e dançou como gostava e sabia fazer. Ele não se arriscou, preferiu ficar sentado sem tirar os olhos, porque não sabia dançar e segundo ele confessou depois, aquele momento tinha sido ímpar. Ela já tinha percebido. Saíram de lá, as pessoas se despediram dos dois e quando se viram sozinhos, tomaram a direção oposta e caminharam conversando até a praia, e a sensação foi de que teriam assunto para mais duas vidas inteiras... e foi quando, de repente, ela sumiu no abraço dele, porque tinha tirado as sandálias, e era muito baixinha...
Continua... no próximo capítulo!
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