Seis meses depois, após mais desacertos que acertos, as coisas passariam a não mais fazer sentido para ela, e depois de ter conseguido afastar todas as chances de pensamentos ruins, imaginando o porquê daquilo não ter dado certo, ela passou a pensar que tudo tinha durado o tempo exato de todas as coisas na vida que são assim, de alta intensidade e baixa frequência, afinal a distância não ajudava e não havia perspectiva alguma de qualquer mudança radical ou compromisso. A crônica de Ferreira Gullar anunciava: "Por aí já se vê como esse negócio de amor é complicado e de contornos imprecisos". Tratou logo de começar um livro novo. Caetano Veloso tinha acabado de lançar o seu "Verdade Tropical", e passou a se distrair mais também nas rodas de capoeira. Não adiantou muito. Sempre que ouvia o trompete de Miles Davis ou coisa parecida, virava-se toda para dentro e jurava não se encantar por mais ninguém, por pelo menos, os próximos dez anos. Foi um período introspectivo, desses que nunca lhe faziam muito bem. No trabalho também, as coisas não iam assim, de vento em popa e ademais, sabia que nada estava exatamente em seu devido lugar. Naquele dia sua glicemia se alterou, a lua não saiu e a maré permaneceu baixíssima. A amiga capoeirista resolveu levá-la a uma consulta com os búzios. E eles disseram: "há um rapaz, e ele não é daqui..." Ela não se conteve e riu muito, porque lembrou-se na mesma hora da história da protagonista do romance de Clarice Lispector "A Hora da Estrela", e saiu sem pagar, de tão indignada...
Continua... no próximo Capítulo!
Friday, July 30, 2010
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1 comment:
uau!
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