Monday, January 18, 2010

assim caminha a humanidade...

Fui a um "hospital de olhos" hoje de manhã. Que susto! um lugar incrivelmente cheio, lotado, abarrotado de pessoas e suas carteirinhas em mãos. Primeiro senha o cadastro, depois acolá tudo coordenado, tudo em série, vários técnicos atendendo várias pessoas em várias maquininhas ao mesmo tempo, e que na placa lia-se "pré-consulta", mas como gosto de traduzir todas as coisas, seria o mesmo que "procedimentos em série para ganhar tempo e atender o máximo de gente possível, já que os planos de sáude pagam uma merreca pelos tais." Até aí tudo bem, vamos lá, compreensível, já que é necessário demanda para fazer girar a roda da fortuna, quando se trata de um prestador de serviços para as muitas e mais variadas operadoras de plano de saúde da cidade. Ora, mas se a pré-consulta pareceu uma fábrica nos moldes do filme de Chapplin "Tempos Modernos", achava que lá dentro a coisa seria um pouco melhor, mais tranquila, com mais tempo para anamnese e afins... hehe, quanta ingenuidade!
"bom dia, sente-se ali, agora leia aqui, agora escolha aqui, ok, pretende trocar os óculos?"
"não doutor, minha queixa não é esta, vim para fazer o acompanhamento da minha retina porque ...."
"sim, só me responda, pretende trocar os óculos?"
"não, não preciso trocar meus óculos" (fazendo uma cara de cu e olhando bem pra cara do doutor)
"então está certo, vou encaminhá-la ao especialista em retina"
Enquanto me levantava, depois dos longos 50 segundos de consulta e já querendo sumir dali, meu subconsciente me dizia: "meu Deus! antes de sair por aquela porta, vou dizer a ele que ele é um grande fédazunha, boçal, surdo, incompetente, e que só vim pra cá porque ele aceita a porcaria do meu convênio médico". Mas que nada, fiz um pouco pior: fiz outra cara de cu, mais feia que a primeira, encarei o distinto senhor de avental branco e disse "nossa... obrigada, foi muito esclarecedor, o senhor é muito atencioso, estou realmente encantada com o atendimento, um abraço, fique com Deus, viu?" então saí, mas não sem antes, pegar o papel da mão dele "daquele jeito" que esse tipo de situação nos permite fazer, sem sentir nenhuma culpa depois... afff!

E continuo triste...

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