Thursday, October 16, 2008

a semana...

Bem, passados vários sustos: alta incontrolável do dólar, prova de inglês cabulosa da Fiocruz, noticia de que vou ser tia-avó, e etc... volto aos meus dilemas, únicos no mundo, com certeza.
Quanto mais tempo se tem, menos se faz. É ou não é? fui atacada por uma preguiça incontrolável, imobilizante durante toda a semana, acompanhada, é claro, das minhas leituras prediletas: revista Piauí, blog do Carpinejar, e os outros dois livros do momento: "Tudo que é sólido desmancha no ar" de Marshal Berman e "A arte de escrever" de Schopenhauer...
Numa pausa, fui ver um filme com Nicholas Cage no cinema...hehehe. E lá estava ele, na telona, fazendo cara de mau, com cabelo tipo malandrão-safado, muito mau, muito mau mesmo. E eu só gosto dele fazendo papel de bom moço. E filme vai, filme vem, lá pelas tantas ele se encanta com uma moça tailandesa surda-muda, e repensa sua trajetória de malvado... mas calma, o final não é nada disso que você está pensando...hehe... credo! é tiro pra tudo quanto é lado e sangue bem vermelho escorrendo. "Vou reclamar desta sala, o som tá péssimo, não tem grave. Olha aí, nem tá saindo som nessas caixas aqui do lado, cadê o grave, tá muito agudo", disse o meu companheiro, conhecedor que é, de som surround- dolby- stéreo... e eu, esperando um desfecho feliz, tipo: ai o malvado desiste da carreira de assassino, apanha um pouquinho, só pra espiar as culpas e pronto! vai lá na casa da mocinha, deixa uma grana preta pra mãe dela e fogem para o Brasil, indo parar lá em Natal, e vivem felizes para sempre, e tals... mas que nada! o final é horroroso! E não me chame mais para ver o Nicholas Cage se ferrando no final que eu não vou!

Sendo assim, só me refrescando no conto de Vladimir Nabokov:

..."Do lado de fora se estendia a cidade saturada de água ao anoitecer com as negras torrentes das ruas, as cúpulas móveis e reluzentes dos guarda-chuvas, o clarão das vitrines derramando-se sobre o asfalto. Na esteira da chuva, a cidade começou a fluir, enchendo as profundezas dos pátios, bruxuleando nos olhos das prostitutas de pernas finas que percorriam em passos lentos as esquinas apinhadas de gente. E, mais acima, as luzes circulares de um anúncio cintilavam intermitentemente como uma roda iluminada em movimento."...

Um dia aprendo, um dia ainda aprendo a escrever assim.
Vou ali, desligar o fogo, e já volto...

1 comment:

Renata said...

Já dizia a saudosa Adélia Prado
"(…) Mulher é desdobrável. Eu sou."