Saturday, March 15, 2008

Carlos Drummond de Andrade, para ele mesmo...

Não se mate

"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para as bodas
que ninguém sabe
quando virão, se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,vitrolas,santos
que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe de quê,pra quê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira,
você é o grito que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro,
não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá."


Poeminha danado, enviado pela Renatinha para mim, com muito cuidado...

1 comment:

Unknown said...

Sexta é dia "D"
compartilhar poemas/poesias/trocadilhos, entre outros... e olha dia 14 foi dia da poesia e eu nem compartilhei... mas SeXta, me lembrei de ti...
"...depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será..."
Amo muito td isso!!!