
ALMOÇO COM AS ESTRELAS
Havia um programa de TV, há muito tempo atrás que se chamava “Almoço com as Estrelas”. A comida devia ser muito boa, e as pessoas, pelo menos na época pareciam satisfeitas, felizes. Eis que outro dia fui almoçar.
Poderia ter sido um dia normal e uma hora de almoço comum, mas não foi. Graças ao celular que tocou e à minha irmã convidando para ir almoçar em um restaurante famoso pela boa comida e uma maravilhosa vista do Lago mais famoso do Centro Oeste. E não era um convite comum porque meu irmão- mais- velho-professor estava junto e tinha vindo de Belo Horizonte para passar o fim de ano com a família na Fazenda e aproveitara para ver a quantas andava a construção da sua nova casa em Brasília.
Meu irmão, nem me lembro a quanto tempo não via, mas não era muito, do mesmo jeito de sempre me abraçou apertado, fazendo elogios à moda dele, que aliás, é uma das coisas mais fofas e carinhosas que um irmão mais velho pode fazer a uma irmã mais nova. E o melhor de tudo é que ele sempre o fez. Cumprimentei depois minha irmã, elegantérrima sempre, que parece até nunca ter conhecido situação diferente das que sugerem esses ambientes igualmente elegantes, de tão à vontade que fica em seu guarda-roupa invejável e, milhares de vezes, reciclado por mim. Meu cunhado, é lógico, também estava, com seu ar contemplativo habitual e seus óculos de intelectual que soube usar a inteligência a seu favor a vida inteira e que dá conselhos apropriados sobre o assunto sempre.
Já tinham feito o pedido e assim pudemos ficar a tagarelar sobre amenidades. Meu irmão contou sobre como falava aos colegas sobre a minha escalada profissional rumo a outras paragens, bem longe da clinica odontológica, e de como ficava contente por mim. Minha irmã, logo que me viu chegar ao restaurante deu uma olhada e abriu seu sorriso aprovador de consultora de moda, me deixando à vontade em minha produção típica de assessora pública de gabinete de Brasília.
Depois falamos sobre o último acontecimento trágico, bem próximo aos nossos olhos, que foi um incêndio horrível de um prédio público, bem próximo ao meu, no dia anterior e de como as corporações militares, diga-se Corpo de Bombeiros, estão despreparadas para grandes incidentes.
Meu irmão e meu cunhado engataram uma conversa sobre detalhes das construções de suas casas e minha irmã aproveitou para insistir mais uma vez pra eu ir passar o Reveillon com eles na Fazenda, no que eu resisti, mudando de assunto e entrando na conversa, perguntando sobre a casa.
A comida chegou cheirosa e apetitosa e continuamos nossa conversa familiar sobre vários outros assuntos, entre eles, a vocação que muitas pessoas tem para o sucesso quando são bem preparadas pelos pais que oferecem boa educação e valores.
Não demoramos muito, mas foi o suficiente para que o dia fosse agradável de contar depois para minha colega de trabalho. Ao sairmos do restaurante tivemos até a sutileza de perder um tempão no estacionamento tentando registrar o encontro. Meu irmão sacou do carro sua máquina digital e queria uma foto que mostrasse a paisagem do Lago com a Ponte JK ao fundo, e meu cunhado teve que fazer um pequeno esforço para encontrar o foco certo, devido à miopia, não obstante sua acuidade visual para perto. Nos despedimos, como fazem sempre os irmãos que moram longe uns dos outros e como os que moram perto, sem nenhuma culpa de sermos felizes ao saborear um bom prato, em um lugar bonito, num dia comum do ano de 2005, ornamentado que estava, por nossos laços fraternos.
2 comments:
ADOREI!!!!
ADOREI!!!!
Post a Comment